A CAIXA PRETA

A CAIXA PRETA
 
Assim como o olho apenas vê, mas quem enxerga é o cérebro e um conjunto amplo de fatores culturais, psíquicos e genéticos; na fotografia a máquina é apenas um mecanismo da tecnologia para se construir uma imagem. Comparar o meio de captação fotográfica com o olho e o cérebro, pode expandir a nossa percepção da realidade, encontrando novos paralelos para o entendimento das funções entre visão e percepção, trazendo para o debate a possibilidade de um diálogo entre a fotografia e sua relação híbrida com a cegueira.
O ensaio é uma parceria com a Be Moraes e o Josias Neto, cegos que fotografam há mais de cinco anos. Projetei fotografias na parede que eles são os autores, fotografando-os dentro das imagens que criaram. Não dá para reconhecer nas imagens qual o limite entre a fotografia que eles fizeram e a minha. O objetivo é estabelecer um diálogo sobre a teoria da Filosofia da Caixa Preta do Vilém Flusser, criando outros códigos visuais para representar o conceito de “Aparelho” no hibridismo entre a fotografia e a cegueira.
 
- Dados Técnicos-Filosóficos sobre as fotografias feitas por cegos

1 – Quando eles fazem uma fotografia, em geral eles perguntam para pessoas próximas como está a cena que eles querem fotografar, então a partir desta primeira história eles imaginam e fazem a foto.

2 – Depois, quando vão mostrar no computador a fotografia, também precisam que alguém lhes conte como é a imagem que eles inventaram, ou seja, nesta segunda etapa, continuam o processo de imaginar o que criaram a partir de diferentes depoimentos sobre a fotografia que fizeram.

3 – Nesta terceira etapa, eles estão sendo fotografados por mim dentro da própria fotografia que fizeram, quando perguntarem para alguém sobre como estão dentro de suas próprias fotografias, ouvirão mais histórias para continuarem imaginando o que é a fotografia e a criação do mundo a partir da percepção de cada um.
 
Fotografia
Tamanhos variáveis
Impressão de tinta mineral em papel de algodão
2016